Terno feminino: a história de uma peça cheia de significados

Terno feminino: a história de uma peça cheia de significados

Em 1910 era normal o uso de ternos… Entre os homens. Para as mulheres o guarda-roupa “correto” pedia outros tipos de roupas, como saias amplas e formas que valorizassem sua silhueta. Mais do que uma maneira correta de se vestir, as roupas da década de 10 eram uma maneira de representar o papel da mulher na sociedade, sua maneira recatada de ser e seu lugar político e social dentro daquela esfera. Imagine então o escândalo que foi para os padrões da época o terno como traje feminino, ainda que ele aparecesse de forma tímida e, claro, totalmente reprimida?

Ternos femininos não só podem como devem fugir da obviedade

O terno feminino não foi o único que sentiu o peso de carregar um emblema junto de si. Peças historicamente do armário masculino, como as próprias calças no começo do século XX, eram motivo de espanto quando usadas por mulheres. A ideia que se fazia era a de que elas “masculinizavam” a imagem da mulher e, de certa forma, a colocavam em pé de igualdade aos homens.

“Le Smoking”: criação de Yves Saint Laurent em 1966

Mas o terno feminino não desistiu. De motivo de burburinho na década de 10, passou a ganhar certa notoriedade entre as próximas gerações, dando maior liberdade para as mulheres poderem mostrar como eram modernas e como conquistavam, ainda que aos pouquinhos, seu lugar na sociedade.

Em 1940, ganhou ares mais glamourosos com a ajuda das grandes estrelas do cinema que transformaram sua imagem aparecendo com ele nas telonas. Marlene Dietrich foi o maior exemplo, desfilando seu belo terninho por todo lugar que ia, em uma mistura de zombaria e protesto pelas convenções que ainda existiam.

Criações de Courrèges

Os anos 70 chegaram e, com eles, um marco importantíssimo da posição feminina: a entrada no mercado de trabalho. As mulheres passaram a ocupar altos cargos, conquistando espaço, respeito e sucesso como profissionais. E o tal do terno feminino que tanto provocou a sociedade e foi idolatrado nas telas de cinema ganhou de novo espaço, dessa vez vestindo uma mulher muito mais “séria”, focada no trabalho.

Just Cavalli, Gucci, Jean Paul Gaultier e Carven, respectivamente

E, em 2012, na última temporada de desfiles internacionais, eles voltaram com tudo e invadiram as passarelas! A calça agora vem muito mais sequinha e o blazer é bem acinturado, ganhando para isso cintos e fivelas enormes ou um único botão nada básico. A velha brincadeira do “combinadinho” também voltou e tanto parte de cima quanto de baixo conversam não só mais na mesma cor, mas também na mesma estampa e em ton sur ton.

Just Cavalli, Gucci, Jean Paul Gaultier e Carven são só algumas das marcas que apostaram no terno feminino, lançando para a mulher que irá usá-lo além de uma tendência, uma pergunta nada fácil de responder: afinal, qual significado o terno feminino vai ganhar agora?

Que cada mulher faça sua aposta, ou melhor, sua escolha.